Vicente Dobroruka - Ex-libris
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Além de ser louco por livros, também gosto muito de ex-libris e até tenho um próprio. Esta página trata deles (não que eu os considere interessantes para terceiros, mas antes como uma lembrança, para mim mesmo, de seu desenvolvimento) e de ex-libris em geral.
A idéia de ter meu próprio ex-libris surgiu em 1989, quando o avô de uma ex-namorada (Lucia de Almeida Abt) me mostrou o modelo de seu próprio ex-libris. Kurt Abt era o nome dele, um grande sujeito que morava em Teresópolis (uma cidade de montanha perto do Rio). Era uma figura - irascível e ao mesmo tempo amável, um velhinho alemão que insistia em dirigir sua Vemaguet, fazer seu próprio pão e mandar bala nos moleques que roubavam carpas de seu lago.
A etiqueta que ele usava não era lá essas coisas - um pouco grande, em cinza escuro com tipia em branco, numa fonte sem serifa e em itálico com as legendas "Ex Libris" e "Kurt Abt", esta última numa espécie de fonte gótica sem alinhamento: o mais original era uma imagem estilizada do Dedo de Deus, montanha famosa da região. Mas foi aí que tive a idéia de criar o meu próprio ex-libris, usando recursos de editoração eletrônica e fontes mais alegres.
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| O ex-libris original de Kurt Abt (reproduzido aqui com a permissão de seu filho Geraldo Abt, a quem agradeço; note-se que a etiqueta original é maior). |
Pensei também em adotar um tema pessoal como imagem, que acabou sendo o cachimbo (na época era fumante bravo e estava tentando largar o cigarro, o que acabei fazendo tempos depois).
Então fiz um scan de um cachimbo clássico curvo (bent billiard), meu formato favorito até hoje. Utilizei uma imagem do livro de Carlos Alberto de Ranieri, Sua excelência o cachimbo. Na primeira versão a fonte era Old German e realizei a diagramação num Macintosh Plus da editora onde trabalhava na época. Ficou pronto em abril de 1990, e a primeira leva durou quase 3 anos.
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| A primeira série (1A) foi impressa em papel A4 de alta qualidade, numa LaserWriter. As etiquetas eram coladas com cola Pritt. |
A série 1B era idêntica, mas fotocopiada e não impressa a partir de arquivo, que eu havia perdido. Foram usadas entre 1994-1995. |
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| Em 1995 decidi fazer nova tiragem, desta vez em etiquetas auto-adesivas. A fonte era Old English e tive de fazer novo scan do cachimbo (série 2A). |
A série 2B era uma variação da 2A, com a fonte Old English substituída pela Theodoric. Nessa época ter a fonte correta noutras máquinas era determinante. |
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| A série 2C foi uma medida de emergência, usando apenas Garamond para simplificar a leitura noutras máquinas. Felizmente usei poucas dessas, que têm uma aparência desagradável e improvisada. |
Em 2004 resolvi que era hora de ter uma etiqueta decente. Depois de muito pensar voltei ao design original, mas com uma imagem de cachimbo mais adequada às limtações das impressoras e tipo Frankenstein (série 3). |
Como se pode ver a maior dificuldade oferecida pelo design é o cachimbo. O primeiro (séries 1A e 1B) está melhor mas ainda é muito reticulado - embora não parecesse assim 15 anos atrás. Ficou pior na série 2, com recursos menos sofisticados do que os Macs, e feitos com urgência cada vez maior (a série 2 corresponde à época em que minha biblioteca mais cresceu).
Espero ter recapturado o espírito da primeira série na série 3. A tipia é similar mas tomei cuidado para adotar uma imagem de cachimbo que minimizasse as perdas decorrentes da resolução das impressoras. Cheguei a criar um ex-libris da série 3 usando uma versão melhorada da imagem original, mas o resultado foi insatisfatório e só provas em papel comum foram feitas. Nenhum foi usado na biblioteca.
Optei por manter o tema do cachimbo, agora familiar, porque seria estranho introduzir uma gravura totalmente nova e porque, se eu me conheço, acabaria substituindo todas as etiquetas anteriores, em todos os livros...
Links para páginas de ex-libris
Bookplate
MyOwnLabels.com
The Art of the Ex Libris
WebRing about ex-libris
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