Pitagorismo, judaísmo e reencarnação
Ainda correndo atrás da (vasta) discussão sobre reencarnação como possibilidade para os judeus do séc.I, achei esta pérola - Isidore Lévy. La légende de Pythagore de Grèce en Palestine. Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1927. O autor deve ter sido a maior autoridade em Pitágoras do começo do século passado, quiçá de todos os tempos (não sou knowledgeable o bastante no assunto para afirmar com certeza, mas o aparato dele é impressionante).
Resumindo o argumento: que a ressurreição dos mortos (Dn 12) é tema tardio, apocalíptico e não-semítico todos sabemos. A linha de argumentação tradicional atribui esse elemento ao influxo persa (Meyer, Cohn, Russell, Collins). Lévy não nega a origem exógena do tema, mas questiona a origem persa (segundo ele, os contatos culturais entre o judaísmo ocidental e o mundo persa eram pequenos nos 200 anos anteriores ao nascimento de Jesus Cristo, período formativo do conceito de imortalidade da alma no judaísmo): Lévy sugere que o tema da ressurreição é nada menos que a releitura judaica da metempsicose pitagórica. Em sua derivação farisaico-cristã, torna-se depois a explicação escatológica padrão da maior parte da cristandade (retribuição após a morte + ressurreição na carne no Juízo Final). Os dois temas são, segundo Lévy, claros enxertos pitagóricos em textos judaicos. Aliás, ele considera Dn 12 também como interpolação tardia. Qual será o estado dessa discussão hoje? Como curiosidade valeu à pena conhecer o livro do Lévy, que gostaria de ler com mais calma algum dia.











