16.2.05

Pitagorismo, judaísmo e reencarnação

Ainda correndo atrás da (vasta) discussão sobre reencarnação como possibilidade para os judeus do séc.I, achei esta pérola - Isidore Lévy. La légende de Pythagore de Grèce en Palestine. Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1927. O autor deve ter sido a maior autoridade em Pitágoras do começo do século passado, quiçá de todos os tempos (não sou knowledgeable o bastante no assunto para afirmar com certeza, mas o aparato dele é impressionante).
Resumindo o argumento: que a ressurreição dos mortos (Dn 12) é tema tardio, apocalíptico e não-semítico todos sabemos. A linha de argumentação tradicional atribui esse elemento ao influxo persa (Meyer, Cohn, Russell, Collins). Lévy não nega a origem exógena do tema, mas questiona a origem persa (segundo ele, os contatos culturais entre o judaísmo ocidental e o mundo persa eram pequenos nos 200 anos anteriores ao nascimento de Jesus Cristo, período formativo do conceito de imortalidade da alma no judaísmo): Lévy sugere que o tema da ressurreição é nada menos que a releitura judaica da metempsicose pitagórica. Em sua derivação farisaico-cristã, torna-se depois a explicação escatológica padrão da maior parte da cristandade (retribuição após a morte + ressurreição na carne no Juízo Final). Os dois temas são, segundo Lévy, claros enxertos pitagóricos em textos judaicos. Aliás, ele considera Dn 12 também como interpolação tardia. Qual será o estado dessa discussão hoje? Como curiosidade valeu à pena conhecer o livro do Lévy, que gostaria de ler com mais calma algum dia.

15.2.05

Um link importante

Recebi um mail muito simpático do Jim West, especialista em Novo Testamento até onde sei. Achou nosso link para o blog dele (Biblical Theology) e colocou um para o nosso, elogiando o trabalho e o fato de termos página em inglês. Percebem a importância de termos tudo certinho online, e de termos a versão na língua universal dos nossos dias?