29.1.05

SBEC 2005 de novo

Bom, gostaria de trocar umas idéias com o grupo todo para a SBEC, pois é provável que eu esteja no Brasil na época de sua realização. Então seríamos potencialmente 5 pessoas, já que o Julio também estará no país até o começo de agosto, pelo que entendi.
Teríamos eu, Joana, Alexandre, Julio e Alex. Nem todos precisam apresentar algo (aliás se não houver quorum, não vamos) mas por outro lado, se um ou dois de nós apresentassem mais de um paper teríamos 2 mesas. Que tal?
O link para o evento encontra-se mais abaixo no blog, ou no post relacionado.

28.1.05

Mais Zaehner

Não sou de enxergar acidentes providenciais em tudo, mas não deixo de me surpreender com o fato de que hoje, quase sempre que acho um livro bom aqui na biblioteca do College, ele foi do acervo do Robert Zaehner (de quem já falei em vários outros mails). Não me ocorre outro estudioso do nível dele em religião comparada - que me perdoem os fãs do Eliade (de quem estou também aprendendo a gostar), do seu pupilo Culianu ou de Widengren. Talvez na história pessoal de conversão de Zaehner eu enxergue, por vaidade, a minha própria. Seja como for, estou passando o pouco tempo livre que me resta com um livrinho dele (The Catholic Church and World Religions. London: Burns & Oates, 1964), uma das melhores introduções que já vi sobre religião comparada (não sei se era essa a intenção do autor ou da série, mas para os dias que correm o livro acaba preenchendo esse papel).
Encontrei por acaso numa estante Letters and Papers from Prison, do grande Dietrich Bonhoeffer (London: SCM Press, 1971). Não é exagero dizer que é um clássico da espiritualidade, embora tão recente (para quem não sabe Bonhoeffer foi um dos grandes teólogos alemães da primeira metade do séc. XX, assassinado pelos nazistas já ao final da guerra). Quando abri o livro, lá estava o ex-libris do Zaehner, para variar um pouco.

23.1.05

Valeu, Julio!

Pois é, até que enfim mais alguém se animou a contribuir com o blog!
Na verdade isso é em parte minha culpa, pois numa das formatações de meados de dezembro acabei perdendo a configuração de quem podia contribuir. Logicamente todos no grupo podem fazê-lo, basta me informarem como o Julio fez (não gostaria de incluir ninguém à revelia, já sou chato o bastante sem ter de fazer isso)...

Elaine Pagels

Estou terminando a leitura do mais novo livro da historiadora americana Elaine Pagels. O livro se chama originalmente em inglês Beyond Belief: The Secret Gospel of Thomas. Estou lendo a tradução em português, Além de toda crença - o Evangelho secreto de Tomé. O livro não tem pretensões acadêmicas, trata-se de uma obra de vulgarização do tema, escrita, porém, por uma especialista no assunto, alguém com uma erudição fenomenal e conhecimento profundo das fontes.
Mas como se trata de uma obra de vulgarização, o livro tem alguns problemas. Acho que faltou o aprofundamento em alguns temas, que a meu ver, são essenciais no tratamento do assunto. Por exemplo, a questão da pseudonímia do Evangelho de Tomé é apenas citada. A autora também não faz uma análise mais profunda da relação do texto em questão com os demais textos de Nag Hammadi.
Também pude detectar problemas na tradução portuguesa. Para começar, o tradutor comete um crime. Ao invés de utilizar uma tradução em português dos textos bíblicos como a da Bíblia de Jerusalém, ou mesmo qualquer outra tradução feita a partir da Vulgata, o tradutor traduz os trechos bíblicos utilizados do inglês. Além, é claro, de outros vocábulos não tão importantes, mas que demonstram que ainda não há no Brasil um vocabulário especializado e desenvolvido em estudos bíblicos.
Mas o livro é bom de qualquer maneira. A autora discute uma polêmica em torno da canonicidade do Evangelho de São João e levanta a possibilidade de ele ter sido composto como uma forma de resposta ao próprio Evangelho de Tomé.
Mas afinal, depois de tudo, posso dizer: quem sou eu para discordar da Elaine Pagels? Mesmo discordando em alguns pontos...

21.1.05

Josefo e reencarnação

Aqui vou me divertindo com as surpresas do dia. Alguém já leu, de Josefo, BJ 2.161 (paralelos em BJ 3.374 e CA 2.218)? Pois é, mais uma esquisitice e que "mela" parte dos argumentos da minha tese (que ainda não entreguei, graças à Deus)...
Em resumo, Josefo diz que os fariseus acreditam em reencarnação (embora só para as almas dos bons). E agora?
E como sempre, meu co-orientador (o Goodman) me fez ver a própria tosquice ao me lembrar que, se Josefo (que se considerava um bom judeu - se os outros judeus gostavam dele é outra história :-) cita a passagem, pelo menos 1 pessoa achava que os fariseus nutriam a crença, por absurdo que pareça. Se 1 acreditava, então talvez 2, 10 ou 1.000 também...
Então terei que dar uma caprichada no argumento relativo à tudo isso no final da tese. Para mim ele quer impressionar de novo o público leitor - grego - atribuindo aos judeus características dos pitagóricos. Mas aí meu co-orientador me lembra que não sabemos ao certo à quem Josefo se dirigia, mas que em todo caso incluía judeus.
Darei uma olhada no livro do Steve Mason sobre o tema (Flavius Josephus on the Pharisees: A Composition-critical Study. Leiden: Brill, 1991). E já que ele está fazendo a nova edição toda de mestre Josefo, aproveitou para mandar uma nova tradução inédita de BJ 2.161 (mas que não muda nada do que se sabia).
Como se vê, quanto mais se lê mais a gente vê que não sabe nada.

10.1.05

SBEC 2005

Repetindo o link para a SBEC 2005:

http://www.classica.org.br/reunioes/2005/index.asp

Vamos ver se montamos uma mesa com 3, pelo menos - por enquanto só a Joana e o Eduardo se manifestaram...

Misticismo e drogas

Esse é um autor que eu gostaria de ter conhecido pessoalmente - Robert C. Zaehner, fellow do All Souls College, falecido em 1975. Deixou sua biblioteca toda para o Wolfson, o que atiçou ainda mais meu interesse; como se não bastasse, apesar de sua formação intelectual relacionar-se ao hinduísmo, Zaehner notabilizou-se mesmo no campo da religião comparada (que é o que me fascina cada vez mais) e, por fim, converteu-se ao catolicismo já tarde na vida. Na minha opinião, muitas referências positivas em série para se deixar passar...
Ando lendo Drugs, Mysticism and Make-Believe (London: Collins, 1972), originalmente uma série de conferências para a BBC discutindo a relação entre êxtase religioso e psicodelismo. Mas a versão impressa vai bem além disso e é uma das melhores coisas que já li em termos de discussão de experiência mística. Reforça aquela tese que me é cara - a visão é condicionada pelo treinamento do místico, mas isso não a invalida. Muito boa leitura para qualquer um que se interesse por história das religiões.
Ainda na área, o Guto me mandou de Roma a tradução e comentário do Zand I Wahman Yasn do Carlo Cereti (Roma: Istituto Italiano per il Medio ed Estremo Oriente, 1995). Embora seja eminentemente lingüístico o approach é um trabalho impressionante, que inclui a reprodução em fac-símile dos 4 mss. que contêm o apocalipse. Chamou-me a atenção, apenas, a ausência de referências sobre 4Ezra (estranho quando se pensa que este deve ser o apocalipse mais próximo do universo teológico persa), mais ainda quando o autor discute minimamente 2Br...